Dia do Patrimônio deve ser marcado por protestos no Rio de Janeiro


Palácio Capanema

Rádio Arquitetura | 17/08/2021


Neste 17 de agosto é celebrado no Brasil o Dia Nacional do Patrimônio Cultural. A data, porém, coincide com uma notícia recente que surpreendeu arquitetos, urbanistas e historiadores do país: a possibilidade de venda do Palácio Capanema, no Rio de Janeiro.


Incluído em uma lista divulgada no último dia 13 pelo ministro Paulo Guedes, com 2263 imóveis federais que vão ser colocados à disposição da iniciativa privada na capital fluminense, o edifício construído entre os anos de 1936 e 1945 é um marco da arquitetura moderna brasileira e mundial. O prédio foi erguido para abrigar o então Ministério da Educação e Saúde Pública durante o governo Getúlio Vargas, por isso é popularmente conhecido como "MEC".


Concebido por expoentes como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira, Ernani Vasconcellos e Carlos Leão, sob inspiração e supervisão do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, o Palácio Capanema foi pioneiro na união dos 5 conceitos da Arquitetura Moderna, fazendo uso simultâneo de pilotis, terraço-jardim, planta livre, fachada livre e janelas em fita. O edifício também foi o primeiro no Brasil a utilizar em larga escala o brise-soleil, inventado por Le Corbusier.



Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e integrante da Lista Indicativa do Brasil ao reconhecimento como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o prédio de 16 andares possui ainda jardins de Roberto Burle Marx, escultura de Bruno Giorgio e painel de azulejos de Candido Portinari, dentre outras obras, constituindo uma perfeita integração entre arquitetura, paisagismo e arte.


No mesmo dia em que foi anunciada a lista dos imóveis à venda, o Conselho Federal de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR) e mais 9 associações lançaram o manifesto O MEC NÃO PODE SER VENDIDO. Até a noite de ontem (16), pelo menos 20 entidades já assinavam o documento, dentre elas CAU/BR, CAU/RJ, IAB, SARJ, ABEA, ABAP, FeNEA, SEAERJ, CREA/RJ, SENGE/RJ e CIALP.


Um ato de repúdio foi marcado para a próxima sexta-feira (20), às 16h, em frente ao Palácio Capanema. O protesto, cujas ações ainda estão sendo elaboradas, deverá contar com apresentações musicais, performances artísticas, confecção de cartazes e distribuição de máscaras.


Leia a íntegra do manifesto neste link.


Fotos: Leonardo Finotti/ArqGuia



Marcelo Idiarte

Assessoria de Comunicação

Rádio Arquitetura

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