Porto Alegre quer mudar plano diretor para permitir arranha-céus no Centro Histórico


Centro Histórico de Porto Alegre

Rádio Arquitetura | 26/08/2021


A prefeitura de Porto Alegre está preparando uma alteração no plano diretor que vai permitir prédios de até 200 metros de altura no Centro Histórico da capital. Pelas regras atuais, novas construções não podem ultrapassar o limite de 33 metros acima do solo.


Denominado oficialmente como Programa de Reabilitação do Centro Histórico, o projeto é cercado de polêmica e encontra resistência entre historiadores e entidades de arquitetos.


Para a prefeitura, o objetivo é reabilitar edifícios degradados ou funcionalmente inadequados, recuperar a função residencial do Centro Histórico, estimular critérios de sustentabilidade, garantir a preservação do patrimônio cultural, promover o desenvolvimento econômico e modernizar a infraestrutura local.


Além de incentivos fiscais para os construtores, o programa libera 1,18 milhão de metros quadrados em potencial construtivo para cada terreno. Hoje, o estoque de potencial construtivo no Centro Histórico de Porto Alegre é zero.


Contrapontos


Entretanto, não há consenso de que o programa vai efetivamente revitalizar a área ou não vai gerar impactos negativos complexos. A questão da pressão no sistema viário da região é um dos pontos mais delicados, uma vez que a capacidade já está esgotada há anos.


Para Rafael Passos, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio Grande do Sul (IAB-RS), faltaram estudos mais aprofundados para garantir a infraestrutura necessária. Ele questiona que boa parte das contrapartidas propostas não trata dos impactos estruturais de um adensamento desse porte. Passos também pontua que não se trata de um programa, mas de um projeto de aumento da oferta de potencial construtivo.


Já Ricardo Ruschel, vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Rio Grande do Sul (AsBEA-RS), não vê problema em haver arranha-céus no centro de Porto Alegre. Ele cita como exemplo Barcelona, que em pontos específicos de seu porto permitiu edificações novas muito altas. Ruschel ressalta que o mais importante no projeto do Centro Histórico é a qualificação do desenho urbano baseado em volumetria, ou seja, o prédio mais alto do quarteirão passa a delimitar a altura dos demais.


A proposta de alteração no plano diretor da capital será enviada agora para votação na Câmara de Vereadores.


A minuta do projeto pode ser acessada neste link.


Foto: Sérgio Louruz/SMAMUS/PMPA



Marcelo Idiarte

Assessoria de Comunicação

Rádio Arquitetura

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