Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Preservação do Patrimônio

Compartilhe:
suzana-vielitz-de-oliveira-com-tarja

Preservação do Patrimônio.

Para os queridos colegas arquitetos e ouvintes da Rádio Arquitetura, “a rádio das mentes criativas” poderá soar estranho falar em preservação de patrimônio ou restauração de edifícios.

Área de trabalho nada criativa deve parecer para a maioria, pois se a gente preserva algo, não poderá inovar modificar ou transformar?!

Enfim, quem sabe através deste espaço na rádio, possamos juntos, abrir as nossas mentes para este assunto, ainda pouco debatido, sempre atual e extremamente importante.

 

Restaurando estrutura, arquitetura x saúde: um paralelo coincidente.

Uma casa enxaimel, cuja estrutura está danificada, não se sustenta. As vigas mestras, os caibros do telhado e os esteios precisam ter conexões eficazes e estarem bem apoiados entre si e ao baldrame. Quando uma peça entra em colapso o dano estrutural é eminente!

Assim como uma casa antiga a estrutura humana é dependente de suas conexões e solidez de seu material. Uma coluna frágil estruturalmente, pode necessitar de reforços mais cedo do que se imagina!

Estes reforços, no caso humano, podem ser paliativos, como músculos mais trabalhados com exercícios físicos, compensados com alimentação e remédios para a dor. No caso da edificação as ações paliativas podem ser uma escora, proteções contra intempéries e algum remédio contra cupim!

Porém, sabe-se que, dependendo do dano a lesão tanto num caso como noutro pode ser tão severa a ponto de exigir intervenção de especialista.

Ainda sob o impacto de uma dessas intervenções na minha coluna cervical, enquanto meu corpo reage e se recupera do dano, resolvi escrever sobre esta experiência para deixar o registro.

A comparação que passo a fazer é útil quando relaciona estruturas, mas comparar as intervenções seria leviano, mesmo que estas sejam tratadas com o maior grau de competência! Não vou me atrever a comparar o ato cirúrgico do médico ao abrir um corpo vivo para lhe retirar a dor e lhe devolver a saúde com a ação do restaurador que intervém em estruturas danificadas promovendo sua reconstituição.  Enquanto o restaurador opera tecnicamente o médico tem agregado ao seu ato algo sagrado, quase divino.

Assim como uma casa antiga a estrutura humana é dependente de suas conexões e solidez de seu material. Uma coluna frágil estruturalmente, pode necessitar de reforços mais cedo do que se imagina!

O ato técnico do restaurador se resume em unir ou promover a conexão de peças e assim garantir o reforço destas evitando ao máximo a substituição do material atingido pela degradação.

O ato sagrado do médico é transcendental pois além de seu procedimento além de restabelecer as conexões falhas, devolve a saúde, garantindo a mecânica complexa do movimento humano! Transcendental sim, porque nesta complexidade que envolve feridas, ossos, próteses e pinos, as conexões e sambladuras se misturam com o Ser que se entrega e confia, o Ser que percebe o quanto é insignificante.

Aos competentes profissionais da equipe Dr. Zardo da PUC, especialmente Dr. Marcos Ziegler e Dr. Erasmo Zardo, vai meu reconhecimento público por sua competência, humanidade, transcendência.

Ao Zardo, minhas palavras de gratidão e reconhecimento: sua imagem não sai de minha cabeça – com olhar respeitoso e algo severo não tentou me convencer da necessidade cirúrgica – por conta de meus medos, soube me dar um tempo, o que de alguma forma trouxe a ele imediatos contratempos, uma vez que a cirurgia foi necessária poucos dias depois. 

Ao Ziegler, com quem tive pouco contato antes: seu olhar bondoso e de respeito humano fizeram-me sentir absoluta confiança e nada de medo!

Então, desde 9 de janeiro de 2017, minhas estruturas cervicais relativas aos caibros C7-C6 e C6-C5 estão restauradas!

Espero que a estrutura de nossas edificações históricas ao longo de 2018 também sejam fortes e recebam as atenções necessárias para recuperarem sua imagem e permanência na paisagem urbana.

Então, às mentes criativas dos colegas de profissão, vamos preservar juntos e sempre, seja patrimônio edificado, seja em nosso pequeno espaço do escritório e assim contribuir para diminuir o impacto ambiental no planeta em que estamos!

Ficarei feliz se alguém se interessar pelo assunto e já agradeço pela oportunidade que tenho em poder expor minha mente inquieta!


 

suzana-vielitz-de-oliveira-1-recortado

 

SOBRE A AUTORA:

Suzana Vielitz de Oliveira, nascida em Novo Hamburgo, RS possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1983), pós-Graduação em Educação pela FEEVALE/ PUC (1992), e possui especialização em Preservação de Patrimônio e técnicas de Restauro de Bens pelo ZHD – Fulda – Alemanha (1995 – 1998)

Mestre em Planejamento Urbano e Regional faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS- PROPUR, com pesquisa em história, política e cultura, dissertação defendida em 25/09/2009 sob o título: Os Planos Diretores e as Políticas de Preservação de Patrimônio Edificado em Novo Hamburgo.(2006-2009) Professora na Universidade Feevale nos cursos de Artes Visuais, Design e Arquitetura e Urbanismo desde 1990. Possui vários trabalhos de projeto para restauração de edificações dentre eles: antiga matriz de São Pedro em Ivoti, Casa Bauer, transformada em Salão de festas para o condomínio Hamburgo Platz, Casa Pitanti em Hamburgo Velho, antigo moinho em enxaimel na cidade de Lindolfo Collor, diagnóstico do telhado da Igreja Três Reis em Hamburgo Velho, projeto de restauração para Casa Pastor Dohms e Centro Diretivo da EST em São Leopoldo, projeto para o Kafekulturhaus no núcleo Feitoria Velha em Ivoti (antiga casa Schneider). De agosto 2009 a fevereiro 2010 foi coordenadora de Patrimônio, Memória e Biblioteca, junto a SECULT, NH – onde habilitou a cidade de Novo Hamburgo para o PAC das cidades históricas, dentre outros trabalhos.

Deixe seu comentário: